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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Transfiguração de Cristo

Tema do culto de ensino na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Galinhos / RN.

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Pr. Kleber Maia

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Questões Éticas em Êxodo 1

Questões Éticas em Êxodo 1

Carlos Kleber Maia

Diversas questões éticas podem ser abordadas a partir deste capítulo, das quais faremos uma breve análise:

1.    Obediência civil - As parteiras Sifrá e Puá desobedecem a uma ordem direta de Faraó, ao deixar viver os filhos dos hebreus.

Esta questão é muito importante para todos os tempos: Até onde devemos obedecer aos governantes humanos?
É certo que Deus quer que obedeçamos às autoridades, pois Ele mesmo as estabeleceu (Rm 13.1-7), mas quando estas autoridades vão contra a Autoridade Maior, Deus, devemos obedecer a Ele e não aos homens (At 5.29).
Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que toda autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só tem autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus.

No Brasil, algumas leis têm sido estabelecidas de uma maneira arbitrária e que contrariam a Palavra de Deus, tais como: casamento entre pessoas do mesmo sexo, a lei da palmada - que inibe a capacidade paterna de corrigir os filhos, o aborto, etc.

No texto, não somente as parteiras, mas também a filha de Faraó desobedeceu ao rei.

O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11).

2.    Violência contra os inocentes - Faraó mandou matar os bebês, como forma de controlar o crescimento populacional dos hebreus.

O tirano rei do Egito determina um infanticídio, ordenando a morte dos meninos, para que vivessem apenas as meninas (estas seriam mais fracas e menos resistentes numa rebelião). No entanto, Deus usa apenas as mulheres para garantir o nascimento e a sobrevivência do libertador, Moisés: as parteiras, sua mãe, sua irmã e a filha de Faraó.

Isto mostra um perverso controle de natalidade e nos leva a pensar sobre certas questões:
a)    A Bíblia proíbe o controle de natalidade? Não temos textos claros sobre o assunto. É certo que ter filhos era considerado uma bênção (Sl 127.3-5), pois naquela sociedade que dependia da agricultura e pecuária, quanto mais braços para o trabalho, melhor. No entanto, a Palavra de Deus não diz que devemos ter um número elevado de filhos. É preciso considerar o contexto sócioeconômico deste texto. Nos nossos dias, quando a educação de filhos tornou-se algo muito dispendioso, o casal deve planejar com responsabilidade o crescimento da sua prole, pois devemos cuidar da nossa família (1 Tm 5.8).
b)    A Bíblia reconhece a existência da pessoa humana antes do seu nascimento? Sim. Há um grande debate sobre o momento em que o feto se transforma numa pessoa. Alguns afirmam que é no momento em que o feto pode viver fora do útero; outros, quando o cérebro passa a funcionar; outros, quando o feto sente sensações, dor, etc; outros, quando ele se movimenta ou tem a forma de uma pessoa; outros ainda, quando ele nasce. No entanto, nem a independência, nem o funcionamento do cérebro, nem a ausência de sensações, nem a movimentação ou forma humana definem uma pessoa e a defesa da vida humana a partir da fecundação do óvulo possui tantos argumentos científicos quanto qualquer outra posição.

Deus forma o espírito do homem no ato da fecundação. A diferença entre o óvulo fecundado e um adulto é apenas o tempo e a nutrição! O óvulo fecundado tem um dia, uma semana, três meses, quatro meses e o adulto tem 20 anos, 30 anos, 40 anos ou 50 anos. O embrião é uma pessoa porque no seu desenvolvimento ele não pode se tornar outra coisa a não ser pessoa. Nenhum corpo vivo pode tornar-se pessoa a não ser que já seja pessoa. Ser e humanidade não estão em ordem crescente. Ser e humanidade são inatas; não são adquiridas. Ou seja, nenhum ser humano é mais humano do que outro. O que difere é: o tempo e a nutrição. Por isso que o embrião é um ser humano.

A Bíblia mostra isso: João Batista foi cheio do Espírito Santo enquanto ainda se encontrava no ventre materno (Lc 1.15) e também reconheceu Jesus, já presente no ventre de Maria (Lc 1.44). Deus se relaciona com pessoas ainda não nascidas (Sl 139.13-16; Jó 10.8,11; 31.15; Jr 1.4-5; Gl 1.15, 16; Is 49.1,5). Deus não faz distinção entre vida em potencial e vida real, nem distingue estágios de desenvolvimento do ser. Deus enxerga os que ainda não nasceram e se encontram no ventre materno como pessoas.

É Deus quem dá a vida e somente Ele tem a autoridade de tirá-la (1 Sm 2.6; Zc 12.1; At 17.25,28).

3.    Mentira - As parteiras declaram a Faraó que as hebreias tinham seus filhos sozinhas e Deus as abençoou por sua ação.

Elas podiam estar mentindo sobre isto. Deus aprova a mentira dita com boa intenção? Não. As parteiras egípcias (Ex 1.15-21) disseram ao Faraó que chegavam tarde ao parto das hebreias, o que não é necessariamente mentira (Elas podiam apenas desobedecer atrasando-se deliberadamente).
Raabe mentiu para proteger os espias (Js 2.4-6). Podemos entender sua atitude dentro da situação – vidas em risco, mas nunca dizer que a Bíblia aprova ou defende sua atitude. Neste mesmo tipo de situação Abraão (Gn 12.12-19) e Davi (1 Sm 21.2) também mentiram. Raabe era uma pecadora que foi salva por sua fé e não por sua elevada moral.
A bênção de Deus sobre as parteiras não foi por causa de sua mentira, mas por causa da sua intenção para com o Seu povo. Ele as abençoou apesar dos seus atos.

Entretanto, uma questão importante surge: quando é inevitável cometer um pecado, o que fazer? Se alguém esconde um perseguido em sua casa, e os bandidos que o buscam perguntam: Ele está aí? Se disser que sim, o inocente morrerá. Se disser que não, estará mentindo.
No livro Introdução à Filosofia (Norman L. Geisler e Paul D. Feinberg. Cap. 27), temos uma boa explanação com relação à nossa postura em situações difíceis. O autor coloca algumas possibilidades:
1.    Nunca devemos mentir para salvar uma vida;
2.    Nunca devemos pecar para evitar o pecado;
3.    Devemos confiar na providência de Deus;
4.    Devemos escolher o mal menor.  (A pessoa é simplesmente obrigada a cometer o menor dos dois males, e então confessar seu pecado. Qualquer que seja a decisão, a pessoa comete um mal. O mal menor nunca é justificável);
5.    Devemos escolher o bem maior. (Significa obedecer à lei superior - conforme revelada na Palavra de Deus - sempre que há um conflito inevitável entre dois mandamentos divinos, ou mais).

O mal menor em situações conflitantes nunca é justificável como tal; é simplesmente perdoável. O dever da pessoa é cometer o mal menor, não o maior. Deus não manda que a pessoa peque em situação de conflito, pois Deus não pode pecar nem pode mandar que outros pequem (Tg 1.13).
Podemos concluir dizendo que as Escrituras nunca aprovam os pecados cometidos por aqueles que temem a Deus, mas registra os fatos. As parteiras e Raabe, não foram elogiadas pela mentira, e sim pela fé que exerceram.
Diferente de uma mentira “branca” é não dizer toda verdade, para proteger alguém. Deus ordenou a Samuel que não dissesse o motivo real de sua viagem a Saul, quando foi ungir Davi (1 Sm 16.1). Ele não mentiu, pois foi sacrificar, mas se revelasse o outro motivo maior, correria risco de ser morto.
Deus certamente não aprova a mentira, mas em sua misericórdia poderá entender a fragilidade humana e suas atitudes falhas sob circunstâncias difíceis.

Solo Dio Gloria!