A Bíblia e o Trabalho

A Bíblia e o Trabalho
O novo livro do Pr. Kleber Maia

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Orar no Espírito

Orando no Espírito
Rm 8.14-28

Introdução

A Palavra de Deus nos mostra em muitas passagens a conexão entre a oração e a ação do Espírito Santo. A Bíblia nos manda orar no Espírito (1 Co 14.15; Ef 6.18; Jd 20). Muitos crentes aprenderam que orar “em espírito”, é orar silenciosamente e consigo mesmos. Mas isto não é oração no espírito, é oração mental. Vejamos qual o significado deste modo de oração:

Orar no Espírito é orar conforme a orientação do Espírito.

A palavra grega traduzida “orar em” o Espírito pode ter vários significados diferentes. Por significar “por meio de”, “com a ajuda de”, “na esfera de” e “em conexão a”. Orar no Espírito não se refere apenas ao que estamos dizendo, mas ao modo como estamos orando. Orar no Espírito é orar de acordo com a orientação do Espírito. É orar por coisas que o Espírito nos leva a mencionar. O Espírito Santo nos guia na oração, nos inspira a falar com Deus (Rm 8.14), de forma a orarmos acertadamente e com ousadia. Somente pelo Espírito poderemos nos dirigir a Deus como uma criança que se lança sem reservas nos braços do seu Pai amoroso (Rm 8.15). É por sua direção e revelação que conhecemos ao Pai e nos comunicamos adequadamente com Ele.
Paulo fala sobre a nossa fraqueza expressa no fato de nem ao menos sabermos orar como convém (Rm 8.26-27). Por isso, o Espírito que em nós habita nos auxilia em nossas orações, fazendo-nos pedir o que convém, capacitando-nos a rogar de acordo com a vontade de Deus. A oração eficaz é aquela que tem o Espírito como seu autor, pois Ele é o único que conhece ao Pai e nos revela aquilo que podemos conhecer dEle (1 Co 2.10-12). Assim, toda oração eficaz é sob a orientação e direção do Espírito.
É impressionante que o próprio apóstolo inclui-se no grupo dos que não sabem orar como convém. Ele certamente conhecia muito sobre oração, mas reconhecia sua dependência da direção do Espírito. Vemos o Senhor corrigir Paulo em sua oração (2 Co 12.7-9), pois não orava de acordo com a Sua vontade. Paulo demonstra em Fp 1.22-24 que em outras ocasiões não conhecia a melhor opção e dependia de Deus.
Muitas vezes não recebemos o que pedimos em oração porque não sabemos como orar corretamente (Tg 4.3). Se orarmos de acordo com a vontade de Deus seremos atendidos (1 Jo 5.14). Somente pela orientação do Espírito podemos orar desta maneira!
A obra que Jesus realizou em seus discípulos por uma atuação externa, o Espírito Santo realiza agora em uma atuação interna. Jesus ensinou os discípulos a orar (Mt 6.9) em uma instrução, mas agora o Espírito o faz por uma direção interna. Jesus intercede por nós no céu (Rm 8.34; Hb 7.25; 1 Jo 2.1), enquanto o Espírito intercede dentro de nós, na terra (Jo 14.16,17).
Não somente o Consolador nos ensina a orar, como Ele mesmo ora por nós. Ele intercede “com gemidos inexprimíveis”. É difícil definir o significado deste gemido, mas certamente expressa o sentimento de alguém que ama tanto, se importa tanto, que pede com fervor por este seu amado. Aleluia! Como somos amados pela Trindade divina! Esta intercessão tão verdadeira se mostra extremamente eficaz, de forma que “todas as coisas cooperam para o bem” destes crentes (Rm 8.28).
Como verdadeiro intercessor, o Espírito é quem nos guia, nos orienta a orar por quem, por quais necessidades e o que devemos pedir. Como não podemos conhecer todos os problemas das pessoas e nem a vontade de Deus para elas, somente com a direção espiritual podemos orar acertadamente.

Orar no espírito é orar em línguas estranhas.

Muitas vezes enfrentamos ocasiões difíceis, sobre as quais não sabemos como orar. Então o Espírito Santo nos ajuda (Rm 8.26-28). A mente é superada e o espírito se comunica diretamente com Deus. Devemos orar no espírito (Ef 6.18) e também com a mente.
O falar em línguas promove a edificação própria (1 Co 14.2,4,5; Jd 20) e, portanto, deve ser usado preferencialmente na adoração particular. Paulo afirma que, na igreja, é preferível falar de modo a edificar o Corpo de Cristo e não apenas a si mesmo (1 Co 14.19). Tomar o tempo da congregação para edificar a si mesmo em vez de edificar aos outros é egoísmo e não deve ser feito. É melhor orar desta maneira nos nossos momentos íntimos com Deus (Mt 6.6).
Aquele que ora em línguas fala em mistérios com Deus (1 Co 14.2) e adora a Ele numa linguagem e em termos que somente o Espírito conhece (1 Co 14.16). Contudo, esta oração no espírito não tem que ser necessariamente barulhenta. Ela tanto pode ser feita em voz alta como também, conforme se lê em 1 Co 14.28, “falando consigo mesmo e com Deus”.
Orar em línguas é uma linguagem de oração – é o Espírito Santo, o Ajudador, orando através de nós.

Conclusão

Orar ao Pai significa sintonizar a nossa vontade com a dEle, pela intercessão do Espírito Santo. A presença e direção do Espírito na vida do povo de Deus é uma realidade. Desconsiderar este fato significa desprezar o registro bíblico e o testemunho do Espírito em nós (Rm 8.16). Entretanto, precisamos perceber que o Espírito nos ajuda, ou seja, ele ora conosco, como um reforço eficaz à nossa própria oração. Assim, devemos orar para que sejamos ajudados por Ele. Se o crente não ora não recebe esta ajuda.
Este mesmo Espírito também nos capacita a orar em línguas estranhas, sendo edificado neste processo e adorando a Deus em mistérios, pelo Espírito, pode bendizer ao Senhor de maneira singular, o que nos deve levar a reservar momentos para nossa oração particular, onde podemos utilizar este santo recurso na oração.

Leitura recomendada

SOUZA, Estevam Ângelo. Nos Domínios do Espírito – defendendo e compartilhando a experiência pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.
HAYFORD, Jack. A Beleza da Linguagem Espiritual – minha viagem ao coração de Deus. São Paulo: Editora Quadrangular, 1996.

Carlos Kleber Maia

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