A Bíblia e o Trabalho

A Bíblia e o Trabalho
O novo livro do Pr. Kleber Maia

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Contribuição Cristã

Contribuição Cristã
Texto-base: 1 Co 9.1-15

Existem alguns princípios que regulamentam as contribuições na Nova Aliança. Alguns destes são diferentes dos princípios da Antiga Aliança, a Lei de Moisés.

Princípios da Contribuição Cristã:

1.Princípio da Propriedade

Tudo pertence a Deus. Somos apenas mordomos do que Ele nos dá. Assim, devemos contribuir com gratidão, pois nada nos pertence, mas a Deus.
Quando nascemos, nada trouxemos para este mundo. Quando partirmos, nada levaremos. Neste intervalo, tudo é um empréstimo de Deus (1 Tm 6.7).

Toda a terra é do Senhor (Sl 24.1; Ex 9.29; 19.5; Dt 10.14; 1 Co 10.26)
Abraão deu o dízimo pois reconheceu que o Senhor é o Possuidor (Gn 14.19,20)

2.Princípio da voluntariedade

Devemos contribuir voluntariamente, de coração, com alegria.
Não se pode obrigar, coagir ou constranger alguém a contribuir. Seja para participar do rol de membros, do ministério ou para ter cargos na igreja, nada disto vale para Deus, que quer liberalidade.

Devemos contribuir voluntariamente (Ex 35.5, 29; 1 Cr 29.9; 2 Co 8.3; 9.7)
Melhor é dar que receber (At 20.35)

O dízimo no NT não tem a força prescrita de lei, mas é um excelente referencial para contribuição.
Jesus disse aos fariseus que deveriam dizimar (Mt 23.23), mas esta orientação não foi dada à igreja. Aos judeus, Jesus também mandou ao jovem rico guardar os mandamentos (Mt 19.17) e mandou o leproso mostrar-se ao sacerdote (Mt 8.4), ou seja, ele apresentou soluções da Lei para aqueles que viviam sob a Lei. Aos que estão sob a Nova Aliança, ele apresentou novidade de vida.
Em Hb 7 fala dos dízimos, mas o vs 12 diz que o novo sacerdócio (de Cristo) implica em mudança de lei.
Jesus não elogiou o fariseu que dizimava para mostrar-se justo (Lc 18.11-14), mas o publicano que se humilhou voluntariamente.

O dízimo na Lei era um imposto!
Poucas citações de dízimo na Bíblia: 42. Muitas de ofertas: 596.
No entanto, a voluntariedade não pode ser uma desculpa para a não contribuição, pois todo crente deve contribuir, uma vez que tudo pertence a Deus e somos apenas mordomos.
3.Princípio da Proporcionalidade
Devemos contribuir de acordo com as nossas posses e rendas. Não tem maior valor o que dá mais, mas o que dá de coração segundo o que tem.

Contribuir segundo o que tem (2 Co 8.3,12; At 11.29)
Às vezes além do que podiam (Mc 12.42-44; 2 Co 8.3)
Dar oferta que não custa nada? (2 Sm 24.24)
Liberalidade em dar (Rm 12.8)

4.Princípio da Recompensa

Quando contribuímos de coração ao Senhor, Ele nos recompensa, pois é justo e não se esquece daqueles que lhe servem.

O que semeia pouco, pouco colherá (2 Co 9.6,10)
Dai e ser-vos-á dado (Lc 6.38)
Deus não é injusto (Hb 6.10; 1 Co 15.58)
O meu Deus suprirá as vossas necessidades (Fp 4.19)

5. Princípio do Planejamento

As contribuições devem ser planejadas, de acordo com as nossas rendas. Devemos logo que recebemos a nossa renda ou salário, separar a parte do Senhor e não deixar por último, se sobrar.

As primícias, ou seja, a primeira parte deve ser do Senhor (Pv 3.9)

Preparar de antemão (2 Co 9.5)
Dar segundo propôs no coração (2 Co 9.7)
Separando no primeiro dia da semana (1 Co 16.2)
Principais objetivos para contribuição:

Ajuda aos necessitados (1 Jo 3.17; Tg 2.14-17).
A igreja foi chamada também para socorrer os necessitados, como forma de demonstrar o amor de Deus.

Sustento dos obreiros (1 Tm 5.17,18; Fp 4.15; 2 Co 11.8; 12.13; 1 Co 9.7-14; Lc 8.3; Jo 13.27-29).
Tanto na igreja local, como no envio de missionários, aqueles que são chamados para uma dedicação exclusiva para a obra de Deus, são dignos do seu sustento.

Manutenção da obra de Deus.
Esta manutenção não é propriamente construir grandes templos, ajuntar patrimônio, mas proporcionar as condições para o crescimento do reino de Deus: evangelização, equipamentos de som, etc.

RICHARDS, Lawrence, O. Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2005 2ª edição.

Carlos Kleber Maia
Natal / RN, 2006.

10 comentários:

Anônimo disse...

A Paz do Senhor,

Esse blog é fantástico, necessário. Parabéns.

Entendo, no entanto, com todo o respeito que nutro pelo amado Kleber Maia, de sempre sensatas e elogiosas ponderações teológicas, que o dízimo é uma doutrina atual. Em toda a Bíblia, antes, durante e após o período da lei mosaica, há menção sobre isso. Transcrevo, a seguir, considerações retiradas de um estudo denominado "A bênção da prosperidade".

a) O DÍZIMO ANTES DA LEI: Abraão e Jacó são exemplos de pessoas que deram o dízimo e foram abençoadas. Abraão (Gn 14.20 – deu o dízimo de tudo – e Gn 24.1 – o Senhor havia abençoado Abraão em tudo.) Jacó (Gn 28.22 – de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo – e Gn 30.43 – cresceu o homem (Jacó) em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos e jumentos – e Gn 31.7,9 – vosso pai me enganou e mudou o meu salário dez vezes, porém Deus não lhe permitiu me fizesse mal... assim Deus tirou o gado de vosso pai e deu-o a mim.)

b) O DÍZIMO DURANTE A LEI: Na lei cerimonial que Deus deu a Moisés havia uma clara indicação da exigência do pagamento dos dízimos e ofertas. Os teólogos dividem os dízimos em três tipos: a) Dízimo do Dever (Nm 18.20-22); 2) Dízimo da Gratidão (Dt 12.5-18) e 3) Dízimo da Caridade (Dt 14.22-29). Com o passar dos séculos, Israel teve altos e baixos, por vezes seguiam ao Senhor e noutras oportunidades se desviavam. No tempo do Rei Ezequias houve um reavivamento e o povo voltou a entregar seus dízimos (2 Cr 31). Veja o que aconteceu: “Desde que se começou a trazer essas ofertas à Casa do Senhor, temos comido e temos fartado, e ainda sobejou em abundância; porque o Senhor abençoou o seu povo e tem sobrado esta abastança (v. 10)”. Depois disso Senaqueribe quis destruir Jerusalém, mas com o povo estava a bênção da prosperidade (que é integral, pois Deus não abençoa pela metade) e numa só noite o Anjo do Senhor destruiu a 185.000 assírios. Israel foi levado cativo para Babilônia, mas com a restauração do templo no período de Neemias e Zorobabel, (Ne 12.43-47) o povo se alegrou e passou a trazer ofertas alçadas, ofertas das primícias e os dízimos... e observava os preceitos de seu Deus (vv. 44a, 45a). Em seguida, houve então novamente período de descaso com a palavra de Deus, deixando o povo de contribuir para a Obra do Senhor que estava sob a responsabilidade dos sacerdotes e levitas. Deus levantou, então, o Profeta Malaquias, 400 a.C., para exortar o povo a voltar a trazer os dízimos à Casa do Tesouro, com o objetivo de que pudessem receber a bênção da prosperidade (Ml 3.8-12).

c) O DÍZIMO APÓS A LEI: No tempo de Jesus o dízimo era praticado largamente pelos judeus, que dizimavam tudo, inclusive as folhas de hortelã, endro e cominho, que sempre custaram pouco dinheiro (Mt 23.23; Lc 18.12). Jesus recomendou que eles continuassem dando o dízimo de tudo, mas também não esquecessem de serem justos, misericordiosos e que tivessem fé. A Igreja primitiva de Jerusalém praticava mais do que o dízimo, pois os irmãos se despojavam integralmente de suas posses e traziam o dinheiro aos pés dos apóstolos (At 2.44,45) e tinham tudo em comum, de sorte que não havia nenhum necessitado entre eles. Paulo, quando escreve aos coríntios pela segunda vez diz (8.1) que não precisava escrever para eles sobre a arrecadação que se fazia em favor dos santos. Assim, não encontramos no Novo Testamento muitas citações sobre o dízimo, porém as que existem são suficientes para lastrearem esta importante doutrina. Em Hb 7.8 encontramos o seguinte: “Aqui recebem dízimos homens que morrem...” numa clara anuência de que o dízimo era praticado já no período da graça. Se, porém, alguém divergir e não acreditar nessa verdade, não tem problema: basta que essa pessoa pratique integralmente o que a Igreja primitiva fazia (At. 2.45).

Um forte abraço a todos.

Silva disse...

Querido irmão Kleber a paz do Senhor
Como conversamos na última oportunidade que tivemos, concordo plenamente consigo quanto ao que crer, sobre dízimos no NT.
Na verdade, se somos de Deus, tudo quanto vem às nossas mãos não é nosso, apenas devemos administrar. Portanto, entrgar dez por cento é o mínimo que podemos fazer nos dias de hoje.
Se não renunciarmos a tudo quanto temos e até a própria vida, disse Jesus, não podemos ser seus discípulos. Se pagarmos o dízimo por obrigação não tem valor, pois somente o que fazemos por amor é válido. ( I Corintios 16.14). Entreguemos o dízimo com alegria e com a intenção de, se possível, ao invés de dez por cento, quem sabe entregar noventa!
Sua mana amiga do Amigo

Carlos Kleber Maia disse...

O dízimo já existia antes da lei, mas a circuncisão também! O dízimo que Abraão deu não era da sua renda e nem era uma prática regular. Ele deu o dízimo do despojo dos reis inimigos e apenas uma vez na vida! Se este é o padrão para o dízimo fora da lei...
Jacó prometeu dar o dízimo (e como era natural dele, barganhando com Deus), o que mostra que não estabelecido como dever, mas era uma coisa pessoal.
Jesus mandou aos fariseus que dizimassem, mas também mandou ao jovem rico que "para entrar na vida", apenas guardasse os mandamentos. Este é o padrão para a salvação? Ao leproso curado, mandou que se apresentasse ao sacerdote. Todo que é curado na Nova Aliança deve fazer isto? Não basta colher palavras de Jesus, é preciso ver a quem ele as disse e por que. Nem Jesus, nem Paulo, nem Pedro e nem Tiago (nem na reunião em Jerusalém - At 15) mandaram que a igreja desse dízimos como obrigação.
Mas todo crente deve contribuir liberalmente, de coração, espontaneamente. 10% é um bom começo.

Anônimo disse...

Meu nome é Antonio,

Quero dizer que o dízimo era para ser comido e não para despezas do templo como dizem hoje...

Bom em Neemias 10:32 Cada um de nós contribuirá todos os anos com quatro gramas de prata para ajudar a pagar as despesas do Templo..

O dizimo como é cobrado hoje é antibiblico, pois era para outro fim..

Antonio

Valc disse...

Parabens pelo blog.
Apenas quero afirmar o seguinte:

Dá a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar.

Pastor disse...

apaz do senhor meu nome e ricardo e eu aprendo muito con ermãos,mas eu vejo que no começo la no jardin do édem deus disse que de tudo os frutos que aviam poderiam comer mais do meio do jardi avia uma arvore que não era para eles tocarem certamente se comece morreriam pois hoje nos vemos no livro de malaquias no capitulo 3v8 deus dissendo que aquele que não desse o dizimo seria ladrão e ladrão não entra no céu pois eu vejo que odizimo como a arvore do jardim e para ver até aonde nos somos fieis pois onde estiver teu coração ali esta teu tesouro que deus abençõe

Pr. Rubens disse...

paz seja contigo!
Deus te abençoe meu irmão o blog é benção e tenho aprendido muito.
Creio que minha contribuição financeira no altar é para louvor do nosso Deus, Davi disse em 1°Cronicas 29 que separava ofertas de toda sua força e sabia que riqueza e glória vinha do senhor, também pediu que tivesse sempre um coração voluntario por que Deus sonda o nosso coração

http://neipentecostal.blogspot.com/2009/07/crise-da-espiritualidade.html

Pr. Rubens disse...

PARABÉNS O BLOG ESTA BEM SURTIDO DE ESTUDOS, DEUS TE ABENÇOE.
I CRONICAS 29 TEM UM GANDE EXEMPLO DE UM BOM OFERTANTE

http://neipentecostal.blogspot.com/2009/07/crise-da-espiritualidade.html

Anônimo disse...

Ev. Kleber, parabéns pelo coragem de expor de maneira clara a palavra de Deus. Para isto o senhor foi chamado e prestará contas a Ele. Aceitei jesus em 1981 e aprendi sobre contribuiçãom como o senhr está ensinando. Infelizmente a avareza dos pastores atuais os tem levado a constranger os servos de Deus, distorcendo a Sua Palavra. O dia mais triste de minha vida foi quando fui a igreja com minha família e fui chamado de ladrão, Deus sabia que não havia dizimado porque tinha que alimentar meus filhos, que sairam chorando da igreja, confesso que nunca mais coloquei so pés naquela congregação.

Ev. Carlos Coelho disse...

A Paz do Senhor a todos.

Acho lindo e maravilhoso quando um homem de Deus discorre sobre o tema dízimos, ofertas e contribuições na Igreja e o fazem com seriedade, e têm seus pés firmados sobre a rocha da liberdade e não da terra lodacenta do constrangimento. Entendo e compreendo os comentários dos irmãos que acharam que o artigo era contra tais práticas na Igreja atual, o que não é. Contudo, entendi perfeitamente o princípio aplicado pelo Pastor Kléber Maia, que o foi o princípio da liberdade. É errado dizimar, de maneira nenhuma. Contudo devemos fazer por amor e gratidão, e não por sujeição.